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O que o deputado Thame não fala sobre o amianto



[artigo originalmente publicado no domingo (24/7) no Jornal de Piracicaba]


Por Adilson Santana*

O Brasil é um dos maiores produtores de amianto crisotila do mundo, gerando milhares de empregos e divisas para o país, algo em torno de R$ 3,7 bilhões por ano. Em recente artigo publicado no Jornal de Piracicaba, de autoria do deputado Mendes Thame, com o título “Amianto, Um Resíduo Perigoso”, o parlamentar, infelizmente, desinforma o leitor ao colocar apenas a posição dos que defendem a proibição do uso do mineral no país, muitos deles, sabidamente, com interesses econômicos, o de substituir o amianto crisotila por fibras sintéticas, ainda não estudadas sobre o mal que pode causar.

Além disso, estas telhas de fibrocimento custam cerca de 40% mais caras, e são inferiores às produzidas com o amianto crisotila. Esta inferioridade é facilmente observada nos telhados que contém telhas com fibras sintéticas, que empenam em curto prazo de tempo, além de rachar e provocar vazamentos.

Os trabalhadores, liderados pela Comissão Nacional dos Trabalhadores do Amianto (CNTA), conseguiram mudar a realidade dos seus locais de trabalho, tanto na mineração, como nas fábricas de fibrocimento, que produzem telhas de altíssima qualidade, eliminando a poeira, com a produção sendo enclausurada ou umedecida. Apesar de todas essas mudanças, o Brasil ainda convive com um grupo que defende a proibição total do uso do amianto crisotila no país, ignorando toda a luta dos trabalhadores e as mudanças ocorridas no setor desde meados da década de 80, que eliminaram de vez as doenças na mineração e nas fábricas de fibrocimento.

Apesar de todos esses avanços, um grupo que trabalha pela proibição do amianto, infelizmente, rema na contramão dos interesses nacionais e utiliza dados do passado para proibir o uso do amianto crisotila no país. Trabalhar pela proibição do amianto crisotila é desconsiderar todas as mudanças feitas no nosso país, que é hoje exemplo para o mundo.

Mais de 100 países utilizam normalmente o mineral, através do uso seguro e responsável, como o praticado no Brasil. Além disso, é beneficiar grupos internacionais que estão interessados no nosso mercado, para levar a população a utilizar uma telha de fibrocimento produzida com fibras sintéticas, bastante inferior ao produzida com amianto crisotila e bem mais cara.

O deputado Thame também tem demonstrado incoerência: alega que o amianto é “perigoso”, mas não desenvolveu nenhuma ação para garantir que os trabalhadores, que atuam no setor, tivessem assegurada a aposentadoria especial, apesar de ter sido procurado pelas suas lideranças. O parlamentar também foi convidado para visitar a mina e as fábricas para conhecer a realidade de perto do setor, que há três décadas oferece ambiente de trabalho com total segurança, mas sempre ignorou os convites

* Presidente da Federação Internacional dos Trabalhadores do Amianto Crisotila (Fitac)


Publicado em 26 julho | 2016

Amianto com racionalidade


[artigo originalmente publicado nesta terça-feira (19/7) no jornal Gazeta do Povo, de Curitiba (PR).]


Por Marina Júlia de Aquino

Arecente decisão da Assembleia Legislativa do Paraná, que considerou inconstitucional e, com isso, arquivou projeto de lei que visava proibir o uso do amianto crisotila abre a perspectiva de uma discussão racional em torno de um assunto que por décadas vem sendo conduzida com exagerada dose de emocionalismo por quem defende o banimento do produto.

No momento, pelo menos sete ações diretas de inconstitucionalidade (ADIs) tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF) questionando leis estaduais semelhantes, o que por si só já dispensava a edição de mais uma norma. Mas, enquanto não se chega a uma conclusão definitiva, persistem as pressões sobre lojistas e revendedores para que cessem as vendas de produtos de fibrocimento com amianto, sob pena de sofrerem retaliações judiciais.

Toda essa batalha jurídica tem como pano de fundo uma acirrada disputa comercial pelo mercado de telhas no Brasil, pondo de um lado empresas de capital nacional e, de outro, a indústria multinacional de fibras artificiais, que passou ao ataque disseminando a ideia de que a população corre risco de contrair doenças se adquirir qualquer produto contendo fibra de amianto.

No Brasil, onde pelo menos metade das residências (algo em torno de 25 milhões) recebe cobertura de amianto, o comércio de telhas movimenta, atualmente, R$ 3,7 bilhões por ano, gerando em toda a cadeia produtiva um número estimado de 170 mil empregos.

Preocupado com o assunto, o STF promoveu em 2012 uma audiência pública reunindo cientistas e especialistas do mundo inteiro. Argumentos pró e contra o produto foram apresentados com toda a liberdade, restando claro, no fim, que o Brasil está no rumo certo ao permitir, na forma da lei, o uso do amianto crisotila na indústria, e que não se pode trocar o certo pelo duvidoso, como bem fundamentou o ministro Marco Aurélio, coordenador da audiência, ao proferir seu voto. Desde então, porém, o tema não voltou à pauta daquela corte.

Fato é que não há registro, no mundo inteiro, de pessoa que contraiu doença por usar produtos com amianto. Os registros de doenças causadas a trabalhadores fazem parte de uma época em que esses cuidados não existiam, anterior à década de 1980, quando o país importou amianto tipo anfibólio, uma variedade prejudicial à saúde e de uso hoje proibido.

A produção brasileira atual é exclusivamente de amianto crisotila, dentro de controles que superam até mesmo as exigências da lei, provando que existe, sim, limite seguro, graças ao desenvolvimento de técnicas que se tornaram referência mundial.

Já com relação às fibras artificiais conhecidas pelas siglas PP e PVA, não se pode dizer o mesmo. De saída, sabe-se que, sendo derivadas de petróleo, são poluentes, levando a Organização Mundial de Saúde (OMS) a afirmar, publicamente, que elas oferecem risco indeterminado à saúde humana.

Deve ser registrada, ainda, decisão adotada em junho passado pela Comissão de Regulação da União Europeia autorizando o uso do amianto crisotila na indústria de cloro pelos países do bloco até pelo menos 2025. A comissão baseou sua resolução em estudos científicos reconhecendo o baixo potencial de risco do crisotila aos trabalhadores quando adotadas medidas de segurança adequadas, contrariando, desse modo, a velha e recorrente ideia de que o banimento é uma questão fechada entre os países europeus.

Apenas a lamentar que a atitude corajosa dos técnicos, legisladores e autoridades da União Europeia não ecoe ainda em setores nos quais a cadeia produtiva do amianto tem sofrido perseguição implacável. Apesar de serem incapazes de demonstrar qualquer caso de adoecimento decorrente de contaminação pós-1980, os detratores do crisotila seguem com sua irracional campanha contra a indústria dessa fibra mineral, modelo de qualidade, segurança e respeito tanto a trabalhadores quanto ao consumidor.

Marina Júlia de Aquino é presidente do Instituto Brasileiro do Crisotila (IBC).

Publicado em 19 julho | 2016

Projeto de lei para banir o amianto no Paraná é inconstitucional, decide Legislativo local



É inconstitucional o Projeto de Lei 655/2015, que visava proibir a exploração e a comercialização do amianto crisotila no estado do Paraná. Foi o que resolveu a Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia Legislativa do Paraná, nesta terça-feira (5/7). Agora, o projeto será arquivado.

Os deputados que integravam a comissão eram os responsáveis por analisar o projeto de lei que pretendia proibir o uso do crisotila no estado, em total de desconformidade com a legislação federal 9.055/95, que regulamenta e estabelece o padrão de segurança para o uso da fibra mineral no país.

O Instituto Brasileiro do Crisotila vê com otimismo a decisão da CJJ da Assembleia Legislativa paranaense, que analisou com racionalidade os fatos relativos à cadeia produtiva do amianto, não se deixando contaminar pela corrente de desinformação que infelizmente cerca o assunto.


O Brasil é referência no uso seguro do amianto crisotila na mineração e na indústria. Desde que o uso do crisotila no país foi regulado por uma das leis mais rigorosas do mundo, a segurança é total, o respeito ao trabalhador do setor é um modelo a ser repetido e a qualidade do produto é a base de um negócio que movimenta anualmente R$ 3,7 bilhões.

Publicado em 05 julho | 2016

Enquanto que no Brasil segue o desmonte da indústria do amianto, na Europa, o uso seguro do crisotila é realidade



Enquanto, no Brasil, segue implacável o lobby antiamianto levado a cabo pelas indústrias das fibras sintéticas, bem como a campanha difamatória encabeçada pelo Ministério Público do Trabalho, na Europa, a realidade é outra –  o uso seguro do crisotila parece só se consolidar.

A Comissão de Regulação da União Europeia confirmou, em 22 de junho, via edição de lei, a autorização do uso do amianto crisotila na indústria de cloro pelos países do bloco até, pelo menos, 2025. A comissão baseou sua decisão em parecer de 2014, aprovado pelo Comitê de Avaliação de Riscos, que certificou que, além de a exposição à fibra mineral ser limitada, as medidas de controle são completamente eficazes, permitindo assim que o crisotila seja usado sem riscos. Esta é a posição defendida pela Associação Internacional do Crisotila (ICA, na sigla em inglês) e pelo Instituto Brasileiro do Crisotila (IBC), no Brasil.

É uma pena que a atitude corajosa dos técnicos, legisladores e autoridades da União Europeia não ecoe ainda no Brasil, onde a cadeia produtiva do amianto crisotila tem sofrido perseguição implacável. Apesar de serem incapazes de demonstrar que o risco do crisotila impede seu uso seguro ou de apresentarem qualquer caso de adoecimento decorrente de contaminação pós-1980, os detratores do crisotila seguem com sua irracional campanha contra a indústria dessa fibra mineral, modelo de qualidade, segurança e respeito tanto a trabalhadores quanto ao consumidor.

Confira aqui o texto da lei da UE que confirma o uso do amianto crisotila para fabricação de cloro e aqui a notícia no site da ICA.


Publicado em 05 julho | 2016

São José dos Pinhais decide prorrogar uso de amianto crisotila

A Câmara de Vereadores de São José dos Pinhais, Paraná, aprovou nesta terça-feira (21/06) o projeto de Lei municipal nº 721/16, que prorroga em mais 36 meses (três anos) o prazo para que as empresas do município que utilizam o amianto se adaptem à sua substituição.

A decisão atende à expectativa tanto das empresas que operam na região como dos trabalhadores, que se viam ameaçados de perder postos de trabalho. Antes mesmo da decisão, o empresário Silvio Bortuluzzi, da Multilit, defendeu o prazo de três anos lembrando a existência de 1.200 empregos diretos e 800 empregos indiretos criados pelo setor em São José dos Pinhais. Os colaboradores da Multilit presentes apoiaram a fala de Silvio.

Trata-se, portanto, de uma importante vitória, sobretudo no momento de intensa pressão por que passa o amianto crisotila no país.

Publicado em 21/06/2016

SAMA recebe mais um prêmio de reconhecimento por ações ambientais


A SAMA Minerações esteve entre as mineradoras agraciadas este ano pela revista In The Mine com o Prêmio Green Mine’2016, de Sustentabilidade na Mineração. A premiação é aberta a todas as mineradoras com atuação no Brasil e reconhece os melhores projetos realizados no ano de 2015, sob os enfoques econômico, ambiental e social.

Dos 18 cases inscritos no grupo Mineração foram escolhidos três vencedores na categoria Indicadores Ambientais e quatro vencedores na categoria Indicadores Sociais. O grupo Tecnologia recebeu oito inscrições, tendo três empresas premiadas. A categoria Indicadores Econômicos do grupo Mineração e o grupo Consultoria não tiveram concorrentes.

Na categoria Indicadores Ambientais, do grupo Mineração, o Prêmio Green Mine foi conferido às seguintes empresas: Anglo American – Negócio Minério de Ferro, subcategoria Biodiversidade, com o case “Gestão de Biodiversidade”; Vale Fertilizantes e Anglo American – Negócio Fosfatos, na subcategoria Recursos Hídricos, com o case “Modelo Hidrogeológico Integrado do Domo I de Catalão” e Votorantim Cimentos, subcategoria Resíduos, com o case “Uso de Escórias como Constituintes dos Cimentos Produzidos pela Votorantim Cimentos no Brasil”.

Ainda no grupo Mineração, as mineradoras Green Mine pela categoria Indicadores Sociais, subcategoria Ações Comunitárias são: Sama S/A Minerações Associadas com o case “Coleta Seletiva de Pilhas e Baterias na Comunidade de Minaçu”; Embu S/A Engenharia e Comércio, com o case “Instituto Embu de Sustentabilidade – Ações Concretas para o Crescimento Social, Educacional e Cultural” e a Imerys Caulim, com o case “Projeto Odontológico Sorriso Saudável”. Na subcategoria Saúde e Segurança Operacional foi premiado o “Projeto Perca Peso e Ganhe Saúde”, da Sama S/A Minerações Associadas.

Finalmente, no grupo Tecnologia recebem a certificação Green Mine’2016, na subcategoria Eficiência Operacional, as empresas: PLAN4R Engenharia, com o case “Cálculo Volumétrico com a Utilização de Drones na Mineração de Bauxita” e a Joy Global com o case “Armazenagem de Energia e Trituração: Novos Conceitos para a Frente de Lavra”. Na subcategoria Eficiência Hídrica, a Veolia Walter Technologies recebe o prêmio com o case “Actiflo Turbo: Tratamento de Água para Fins Industriais e Potabilização”.


Os cases vencedores do Prêmio Green Mine’2016 serão publicados na edição 61 da revista In The Mine. As empresas vencedoras receberão o certificado e o selo Green Mine’2016.

Senado da Colômbia rejeita projeto de lei para banimento do amianto crisotila no país


Município de Campamento, na Colômbia




Na manhã de segunda-feira (6/6), a 7ª Comissão do Senado Federal da Colômbia derrubou o projeto de lei que pretendia banir o uso comercial de qualquer forma de amianto naquele país. O Projeto de Lei 97/2015 propunha a proibição da comercialização, exportação, importação e distribuição do amianto ou de qualquer produto que contenha a fibra mineral em sua fórmula. Por 7 votos a 4, a comissão de parlamentares responsável pela análise do tema rejeitou o projeto de autoria da senadora Nadia Blel, do Partido Conservador.

Os congressistas que votaram contra o projeto de lei argumentaram que os dados de caráter médico apresentados pela relatora careciam de embasamento científico. Entre as justificativas apresentadas pela senadora Nadia Blel estava a afirmação de que ocorrem 100 mil mortes por ano decorrentes de doenças provocadas por contaminação com amianto. Como o IBC vem informado há anos, a base de dados que sustenta tal estimativa é absolutamente desconhecida, e os estudos científicos realizados demonstram, em sentido contrário, a inexistência de risco à saúde quando o amianto crisotila é usado dentro de padrões de segurança na mineração e na indústria.

Em abril, o Senado colombiano havia realizado uma audiência pública sobre o tema do amianto no país.  Entre os que defenderam o uso seguro do crisotila, estava o prefeito do município de Campamento, localizado no departamento de Antioquia, local da principal mina de crisotila no país. O prefeito apresentou documentação assinada pelo diretor do principal hospital público do município, atestando a ausência de registros médicos relacionados à contaminação com amianto no local.

Como de costume, os defensores do banimento recorreram aos mesmos argumentos de que a pressão do setor produtivo do amianto crisotila foi responsável pela derrota, atribuindo a rejeição do projeto de lei ao que qualificam como “lobby do amianto”. Porém, em nenhum momento, os congressistas que defendem o banimento responderam as dúvidas sobre a falta de embasamento científico dos dados que demonstrem que não é possível o uso seguro da fibra mineral e, tampouco, deram explicações sobre ausência de casos recentes de adoecimento por contaminação com amianto no país, após a adoção dos padrões de segurança e controle.

Publicado em 09 junho | 2016

Mais uma empresa processa advogados acusados de forjar ações contra o amianto


Mais uma empresa, nos Estados Unidos, resolveu processar escritórios de advocacia acusados de fraudes para ganhar indenizações decorrentes de casos de contaminação por amianto.  A John Crane Inc., fabricante de origem inglesa de juntas industriais, com presença em vários países, pediu à Justiça Federal americana, para entrar como parte no processo que julga se a Garlock, líder global de produtos de proteção e vedação contra fluídos no setor industrial, sofreu extorsão de duas bancas de advocacia.

O caso começou depois que documentos obtidos durante o processo de concordata da Garlock Sealing Technologies trouxeram evidências de que a empresa fora vítima de manipulação de dados feita por um escritório de advocacia de Dallas, Texas, o Simon, Greenstone, Panatier & Bartlett Trial Lawyers, e por outra banca, a Shein Law Center, Ltd. , Filadélfia, Pensilvânia.

Ambas as firmas se especializaram em ganhar dinheiro com processos milionários envolvendo casos de contaminação por amianto. Nos EUA, esse tipo de advocacia é chamada de “mesothelioma law”, e, cada vez mais, aparecem denúncias que questionam a credibilidade da atuação desses escritórios e desse ramo de advocacia.

Assim, uma segunda empresa norte-americana se juntou à briga, pedindo formalmente à Justiça a autorização para que possa também processar o escritório texano e o da Filadélfia no mesmo processo. A John Crane alega que foi vítima das mesmas táticas fraudulentas utilizadas pelos escritório, para hiperdimensionar a responsabilidade da empresa em casos de ocorrência de mesotelioma em antigos funcionários.

Em fevereiro de 2014, o juiz federal que julgava a concordata da Garlock autorizou a divulgação de documentos que demonstravam que provas de ocorrência de exposição ao amianto haviam sido manipuladas pelos escritórios em quinze ações de indenização movidas contra a Garlock.

Os advogados responsáveis por moverem as ações contra a Garlock acobertaram evidências de que seus clientes, pacientes vítimas de mesotelioma, teriam sido expostos ao amianto anfibólio presente em estruturas de isolamento térmico e em caldeiras de aquecimento, com a finalidade de convencer a Justiçade que seus clientes teriam contraído a doença em ambiente de trabalho.

Como se não bastasse, após ganharem as ações por contaminação com amianto, os escritórios aguardavam o processo de concordata avançar, para só então mover novas ações, alegando contaminação também por outros produtos. 

Publicado em 22 fevereiro | 2016

TRT de Santa Catarina anula decisão contra comerciante que vende telhas de fibrocimento com amianto



Não cabe exigir do comerciante que vende telhas de fibrocimento com amianto que se adéque a normas de segurança que são próprias do ambiente de mineração e industrialização da fibra mineral. Tal imposição ignora a ausência total de risco para o comerciante e o consumidor da telha de fibrocimento, além de constranger a livre-iniciativa e prejudicar a todos: trabalhadores, empreendedores e consumidores.

Com esse entendimento, a Turma do Tribunal Regional do Trabalho da 12ª Região (Santa Catarina) anulou a sentença proferida pela Vara do Trabalho de Fraiburgo, município do meio-oeste catarinense, contra a loja Dal Mas & Amaral Materiais de Construção, de Lebon Régis, cidade também localizada na região.

Em julho, a Justiça do Trabalho havia acolhido a ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho contra a empresa. Mais uma vez, ignorando completamente os fatos sobre a cadeia produtiva do amianto crisotila no Brasil e a realidade de comerciantes que trabalham com telhas de fibrocimento, a ação do MPT exigia que a empresa se adequasse a normas criadas para a indústria mineral.

Em julgamento ocorrido na quarta-feira (27/01), os desembargadores da 2ª Turma do TRT-12  decidiram, por dois votos a um, anular a sentença proferida pela Vara do Trabalho que obrigava a loja a adequar-se ao Anexo 12 da Norma Regulamentadora (NR) 15, do Ministério do Trabalho. A norma define o limite de tolerância para fibras respiráveis de asbesto crisotila em 2 fibras por centímetro cúbico (f/cm³).

Não só a indústria fixou o limite de fibra em suspensão no ar no percentual de 0,1 f/m³, o que é vinte vezes inferior ao exigido por lei, como no ambiente de comercialização não há qualquer risco.  Isto porque, ao ser integrado à composição do fibrocimento, o amianto perde sua propriedade de ser inalável.

Ou seja, o amianto crisotila deixa de existir como fibra inalável e se transforma em outra substância, pois o mineral permanece ligado às duas outras matérias-primas que compõem o fibrocimento – o cimento e a celulose –, como se encapsuladas.

Ignorando fatos científicos e fechando os olhos para a realidade de que não existem casos de contaminação em ambiente de venda de telhas de fibrocimento, o Ministério Público do Trabalho insiste em constranger comerciantes, interferindo em um mercado que é referência em qualidade e segurança, além de exemplo de respeito ao trabalhador na mineração e na indústria.

Diversas ações têm sido ajuizadas no estado de Santa Catarina com o mesmo objetivo, prejudicando estabelecimentos, sob a falsa afirmação de que trabalhadores e consumidores estão em risco. Com a decisão, a 2ª Turma do TRT garantiu o direito de a loja de materiais de construção produzir prova pericial judicial para demonstrar que os produtos industrializados contendo amianto não liberam fibras respiráveis desse mineral em quantidade superior ao limite de tolerância de 2 f/cm³, como previsto no Anexo 12 da NR 15.

O IBC manifesta satisfação pelo fato de a Justiça do Trabalho decidir com responsabilidade, não permitindo que um assunto tão importante seja tomado por afirmações sem base e acusações irresponsáveis.


“É uma decisão importante porque traz racionalidade ao debate sobre o amianto. A segurança de trabalhadores e consumidores é um assunto muito sério. E precisamos colocar as informações na mesa. Não há espaço mais para afirmações sem comprovação e acusações irresponsáveis”, comentou a presidente do IBC, Marina Júlia de Aquino.

Publicado em 4 fevereiro | 2016

Esclarecimentos sobre o caso do município de Santa Isabel e seus problemas de abastecimento de água

Jenifer Carpani_G1



Castigados, nos últimos anos, por problemas crônicos de abastecimento de água, os habitantes do município de Santa Isabel, localizado na região metropolitana de São Paulo, se acostumaram com as dores de cabeça causadas pela pane na rede d’ água e esgoto da cidade. 

Depois de um longo impasse, foi decidido que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) deveria assumir, a partir de 2016, a gerência da rede de abastecimento de Santa Isabel, através de um contrato de 30 anos de vigência. O que ocorreu na virada do ano.

Tubulação velha, vazamentos constantes, cidadãos sem acesso à água potável e desperdício de 500 milhões de litros d’água acabaram levando o prefeito da cidade a pedir providências à Secretaria de Recursos Hídricos do Estado de São Paulo. O desfecho deste quadro foi justamente a Sabesp assumir a direção da rede.

Logo, não tardou para que o amianto, um dos materiais usados para construir as tubulações da cidade, – que possui 12 mil ligações de água – fosse responsabilizado pelo péssimo estado de conservação da rede e também como o principal risco para a população que consome a água. 

O Blog Amianto Crisotila já havia se manifestado, em março de 2015quando a tubulação próxima a uma autoestrada da cidade se rompeu, sobre o alarmismo e a irresponsabilidade de se atribuir ao amianto os problemas de má estrutura da rede de abastecimento. Na ocasião, o diretor de Água e Esgoto do município “alertou” para  o suposto risco à saúde da população pelo simples fato de o amianto ser uma das substâncias usadas para construir a rede, e que o rompimento  de canos próximo à autoestrada poderia “provocar contaminação”.

Vamos, mais uma vez, aos fatos...

Tubulações de água feitas com amianto não causam risco à saúde. Este é um fato. E é um fato respaldado por uma sólida gama de estudos nacionais e internacionais. Da mesma forma, jamais foi registrado na literatura médica mundial, em tempo algum, casos de doenças relacionadas ao uso de caixas d’água ou encanamento provocadas por amianto.

A cidade de New York, por exemplo, possui tubulações de amianto, bem como São Francisco, Chicago e Paris, dentre outras metrópoles em todo o mundo.

Mais uma vez é repetida também a estimativa de ocorrência de 107 mil mortes por ano provocadas por câncer de pulmão relacionado ao amianto, e este dado é atribuído à Organização Mundial de Saúde (OMS). É fundamental entender que a base de dados sobre a qual essa conclusão foi projetada não é conhecida.  O IBC vem, há anos, tentando ter acesso a esses dados para saber de onde a OMS tirou essa estimativa, mas até o momento nada nos foi apresentado. 

Mais uma vez, o IBC apela à racionalidade. A presença de amianto usado para construir a rede de água e esgoto não representa qualquer risco à população, porque ao ser integrado à composição do fibrocimento, o amianto perde sua propriedade de ser inalável.  Como evidência, vale citar estudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), de São Paulo, que demonstrou que as fibras de amianto crisotila permanecem ligadas às duas outras matérias-primas que compõem o fibrocimento – o cimento e a celulose –, como se encapsuladas. 
Mesmo sob condições severas de desgaste, essas fibras não se desprendem, nem representam risco à saúde dos usuários. Essa mesma preocupação se verificou durante os trabalhos de retirada dos escombros das torres gêmeas do World Trade Center, destruídas por terroristas em 2001. A ausência de risco foi atestada pelo Centro de Estudos Aplicados de Ciências Ambientais e da Terra, da Escola de Pós-Graduação e Centro Universitário da City University of  New York.


Se autoridades discordam disso e têm dados que contradizem essas informações, o IBC é o primeiro interessado a ter acesso a eles e assim abrir o debate sobre o tema. O que não podemos é ficar em achismos e alarmar as pessoas de forma irresponsável, como no caso de Santa Isabel.

Publicado em 19 de janeiro | 2016

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